Sistema de produção, agregação de valor e automação

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Cada empresa adota uma maneira de relacionar os recursos, entidades e componentes necessários para produzir o produto esperado. Desta forma, faz-se necessário entender todos os sistemas e subsistemas de produção que impactam diretamente na performance da produção.

 

Sistema de Produção, agregação de Valor e Automação Industrial

Sistema de Produção, agregação de Valor e Automação Industrial | Foto:sxc

Justamente por isso, a utilização de softwares intensificou-se nas indústrias. Através deles é possível fazer um mapeamento dos processos e assim entender a realidade que se passa na empresa. Permite ainda que seja feita uma avaliação da organização como um todo e consequentemente um entendimento da cadeia de eventos que ocorre após “derrubar o primeiro dominó.”

A muito tempo a indústria automobilística entendeu a importância da integração dos sistemas e subsistemas. Este tipo de indústria sabe perfeitamente avaliar tanto as variáveis internas quanto as externas (sistemas desenvolvidos sobre o conceito just-in-time).

A maior vantagem em integrar os sistemas está no controle e reação ao ambiente que a empresa passa a ter, conseguindo assim estipular prazos de entregas, compras, metas, contratação de funcionários com maior eficiência. O resultado final da integração na produção é o aumento do valor agregado gerado em toda cadeira produtiva.

O grande desafio das empresas na integração está em fazer com que haja comunicação entre todos os sistemas e subsistemas, que por sua vez utilizam algumas vezes diferentes plataformas e diferentes bancos de dados. Obter informações precisas do “chão-de-fábrica” que podem ser geradas pelas máquinas também é uma tarefa difícil, pois na maioria das vezes existe a dependência do operador para realizar os apontamentos. O resultado disto tudo é a proliferação das planilhas construídas no Excel com o objetivo de integrar e tratar as informações dos diferentes sistemas.

A maneira de produzir também exige formas diferentes de controle e monitoramento. Atualmente existem três tipos de formas de produção: sistema de produção sob encomenda, sistema de produção em lote e sistema de produção contínua.

Sistema de produção intermitente sob encomenda.

É um sistema de produção onde o processo é puxado pelo cliente final. Um exemplo de empresa que pratica este sistema de produção é a Dell, onde a venda através do site é o inicio da cadeia produtiva. A maior vantagem deste sistema está na diminuição de perdas e na possibilidade de fazer customização no produto do cliente. O maior problema para o PCP (Planejamento e Controle de Produção) neste tipo de sistema surge especialmente no seqüenciamento das atividades, devido a alocação de recursos múltiplos restritos disponíveis, no sentido de assegurar a data de conclusão do projeto. Um produto muito customizado pode solicitar demanda de vários profissionais interagindo entre si, o que dificulta o controle de custos e prazos.

Sistema de produção intermitente em lotes

Este sistema de produção leva em consideração informações de mercado e de tendências. Nele, entende-se que é preciso considerar perdas ocorridas em todo o processo produtivo. Uma empresa que trabalha neste sentido é a Editora Abril, pois para lançar tiragem de uma publicação, é necessário levar em conta o histórico de vendas e o próprio “apelo de capa”. A indústria de publicações já leva em consideração o número de encalhe como algo que faz parte do sistema de produção. Este sistema possui um inconveniente: quando surge um problema em determinado produto, neste caso o lote a ser produzido, não é possível recomeçar o processo produtivo imediatamente, uma vez que o próximo produto estará entrando na fila e deverão ser alterados os testes e a preparação de máquinas visando atender a um novo cliente.  Neste caso, os produtos que foram manufaturados devem ir para uma área de segregação onde posteriormente será analisado o provável problema.

Sistema de produção contínua

No sistema de produção contínua o objetivo é produzir o maior número de itens em menor tempo possível. Geralmente não há grandes modificações no produto, e o processo flui de maneira prevista e ininterrupta. Possui a característica de realizar as mesmas operações, com poucas interrupções. O processo de engarrafamento de bebidas e o processo de refinamento do petróleo são alguns exemplos

Planejamento e controle de produção x tipo de produção

O tipo de produção define o sistema de PCP a ser utilizado. Desta forma tem-se PCP por fluxo – utilizado na produção contínua, PCP por projetos especiais – utilizado na produção sob encomenda e PCP por ordem – utilizado na produção repetitiva.

O PCP deve buscar sempre o cumprimento dos prazos preestabelecidos e o aproveitamento do processo com o mínimo de desperdício, determinando o que vai ser produzido, quanto vai ser produzido, como vai ser produzido, onde vai ser produzido, quem vai produzir e quando vai ser produzido. Assim, o estabelecimento do controle da produção através de informações confiáveis é fundamental para o alcance das metas definidas pela organização fazendo ainda com que o PCP busque atingir uma melhor integração possível entre o uso ótimo da mão-de-obra, dos equipamentos e do capital.

Automação Industrial

O planejamento, controle e integração de sistemas produtivos estão sendo aperfeiçoados a cada dia nas organizações. Tudo isto vem de encontro com o crescimento da competividade e a grande necessidade por redução de custos.

Buscar planejar e gerar informações confiáveis através de procedimentos automáticos para correta análise e tratativa dos problemas é uma excelente alternativa para as empresas, visto que garante a confiabilidade das informações e alimenta a equipe de PCP em tempo real para a tomada de decisões. Projetar e implementar na linha produtiva sistemas supervisórios inteligentes, etiquetas de rastreamentos (código-de-barras e RFIDs) e automação de máquinas e processos são apenas alguns exemplos de ferramentas que podem ser utilizadas no processo contínuo da busca pela excelência.

É necessário que cada organização busque compreender melhor o seu processo, identificando e compreendendo pontos de falhas e melhorias para então utilizar ferramentas eficazes na análise e solução de problemas. A interatividade do PCP com o “chão de fábrica” deve ocorrer a todo instante e se houver recursos automáticos que alimentem este setor, a tomada de decisões torna-se mais eficaz, afinal o PCP é o cérebro da linha de produção.

Esse artigo foi postado por Cristiano Bertulucci Silveira

Engenheiro Eletricista pela UNESP com MBA em Gestão de Projetos pela FVG e certificado pelo PMI. Atuou com gestão de ativos industriais e gestão de projetos em grandes empresas como CBA, Siemens e Votorantim Cimentos. Coordenou projeto de implantação de melhorias em empresas como Usiminas, JBS Friboi, METSO, TAESA, CEMIG, AISIN. Atualmente é Diretor de Projetos na empresa Citisystems

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