Origem do medo no uso de PCs para controle de máquinas e alguns bons motivos para esquecê-lo

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Os computadores de uso geral (aqui representado por CG) possuiram participação crucial para a consolidação do conceito atual de automação industrial. Em 1958, quando foram empregados os primeiros CGs em aplicações industriais, constatou-se que o caminho da automação tendia para o controle microprocessado, muito mais preciso e enxuto. Porém, em sua evolução, os CGs aparentavam ser ferramentas mais direcionadas para o uso comercial. As linguagems de programação de alto nível existentes (Fortran, B-0, Cobol) não facilitavam o entendimento de técnicos industriais, acostumados à famosa lógica de relés, tornando a manutenção destes sistemas tão ou mais dificultosa do que na técnica anterior. Com o aparecimento do CLP (Controlador Lógico Programável) em 1968, a indústria encontrou um porto seguro para efetuar o controle de seu maquinário, já que tratava-se de uma ferramenta versátil e extremamente simples de se utilizar. Com a popularização do CLP, a utilização mais usual dos CGs na indústria da época era de interfaceamento de dados e controle numérico para máquinas-ferramenta (CNC).

Em 1980, com a quarta geração dos CGs (que popularizaram o termo PC – Personal Computer), os sistemas operacionais de mercado indicavam mais fortemente a tendência de se  firmarem como ferramentas comerciais e residenciais, já que priorizavam a experimentação visual com o usuário, deixando em um plano inferior, a estabilidade do sistema. Essa foi a estratégia adotada pela Microsoft durante um longo período (líder de mercado da época com seu MS-DOS. Continua líder até hoje com o Windows). A entrada das IHMs (interface homem máquina) e dos controladores CNC dedicados, ajudaram a restringir ainda mais o uso dos CGs no controle de máquinas, limitando-os quase que totalmente à operações de supervisão de processos (SCADA), onde não comprometeriam a operação caso houvesse algum “travamento”.

Os anos 90 chegaram com uma gama enorme de dispositivos dedicados à automação de máquinas, e como os SOs ainda não inspiravam muita confiança (o Windows NT, estável, tinha vários problemas de incompatibilidade e o Linux, estável também, era tido como um SO de difícil manuseio e obtenção de suporte), não houve uma iniciativa grande dos fabricantes e profissinais de automação em recolocar os CGs nas suas soluções para controle de máquinas. Por outro lado, a popularização dos sistemas de supervisão SCADA e de gestão industrial (ERP, MES) difundiram o aparecimento de CGs adaptados para trabalharem em ambientes industriais (PCs industriais). O CG voltava lentamente para a indústria.

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Com a busca incessante pela eficiência dos processos e máxima necessidade de aproveitamento dos recursos, não se podia mais ignorar as vantagens oferecidos pelos CGs. Com estabilidade assegurada pelos modernos SOs, dispositivos confiáveis, conjunto enorme de recursos, preço baixos e fácil reposição, os PCs (tanto industriais como domésticos: suas arquiteturas ficaram muito parecidas ao longo dos anos) passaram a ser uma boa opção também para controle de máquinas. Porém, apesar de ser comum observar PCs industriais e até domésticos no chão de fábrica, o fato é que a utilização dos  CGs para supervisão e controle de máquinas ainda é pouco explorada. Isso se deve a um paradigma que ainda resiste fortemente no mundo da automação, alimentado por traumas adquiridos à 20 anos atrás, repassados para jovens atuantes como regras invioláveis.

Mas a verdade (embora muitos profissionais discordem disso), é que a “volta” dos CGs ao controle de máquinas é uma irrefutável tendência, já que sua fabricação se  dá numa proporção centenas de vezes maior que a de equipamentos dedicados, o que impulsiona a melhora na qualidade e a queda nos preços. Logo se perceberá que a fabricação de equipamentos dedicados não é barata, e que a opção por um dispositivo de controle que atenda a requisitos gerais por um bom preço será a solução mais vantajosa. E a “tela azul” será mais um personagem de histórias antigas de terror, que não assustam mais ninguém.