7 Passos da Manutenção Autônoma

//7 Passos da Manutenção Autônoma

A Manufatura tem por finalidade primordial produzir produtos com alta qualidade, baixos custos e no menor tempo possível. Sendo assim, a manutenção autônoma tem como principal objetivo deixar o operador autônomo, para poder de forma imediata visualizar, identificar e lidar com anomalias dos equipamentos que estão sob sua responsabilidade. Este princípio torna os processos confiáveis através de uma manutenção de excelência.

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Figura 1 – manutenção autônoma. Da minha máquina cuido eu.

A manutenção autônoma, compõe um dos 8 pilares do TPM (Total Productive Maintenance), é considerada a espinha dorsal desta metodologia. Tem como principal iniciativa gerar a mudança do processo tradicional de gestão dos recursos produtivos dos equipamentos. Esta mudança acontece principalmente com relação a cultura da operação, e aí que se encontra o grande segredo do processo. O operador passa a atuar em conjunto com a área de manutenção, passando a colaborar com a manutenção cada vez mais.
Com o avanço das etapas de manutenção autônoma o operador passa incorporar e a realizar atividades com função de manutenção, buscando sempre manter o equipamento em operação e assim atingir de maneira estável e eficazmente o planejamento de produção. Isto não é se tornar a manutenção, mas sim ser os “olhos da manutenção”, ajudando no trabalho do departamento de Manutenção. As principais diretrizes de um programa de manutenção autônoma são:

  • Eliminar e prevenir a deterioração forçada dos equipamentos através da operação correta e de inspeções rotineiras e constantes;
  • Deixar o equipamento em seu estado ideal (100%), trabalhando com restauração e o gerenciamento das atividades;
  • Criar e disponibilizar as condições básicas necessárias para manter o equipamento em suas condições ideais;
  • Utilizar-se dos problemas que acontecem com o equipamento como uma das ferramentas para ensinar as pessoas a melhorar as atividades de pensar e trabalhar.

Para que todo este processo se estabeleça há a necessidade de constante treinamento e capacitação das pessoas envolvidas, pois todos precisam entender todas as etapas, os objetivos e pincipalmente o papel de cada ator. O operado irá desempenhar novas atividades, passará a ser o verdadeiro dono do equipamento e terá total domínio de suas atividades, passando a prever sinais de defeitos e falhas, o que o possibilitará a tomar as devidas providências e assim evitar que fatores ainda pequenos se desenvolvam e se transformem em problemas graves obrigando a se fazer a manutenção corretiva.

Há uma frase que traduz bem esta nova cultura dentro da operação: “ DA MINHA MÁQUINA CUIDO EU! ”

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Outro ponto importante é a capacitação das lideranças que também precisam mudar sua forma de pensar e agir. Precisam ser os facilitadores deste processo, ou seja, precisam criar condições para que os operadores possam estabelecer toda esta mudança. Este é o ponto primordial do processo, se este apoio não acontecer, o avanço da manutenção autônoma não tem como ter sucesso.
O desenvolvimento da manutenção autônoma se estabelece a partir de 07 etapas, sendo que cada uma apresenta seus devidos objetivos como mostra na Figura 2 e  Tabela 1.

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ETAPAPRINCIPAIS OBJETIVOS
1) limpeza inicial
  • Prevenir deterioração acelerada;
  • Aumentar a qualidade do trabalho de verificação e de reparo;
  • Estabelecer as condições básicas do equipamento;
  • Expor e tratar os defeitos escondidos.
2) Fontes de sujeira e lugares de difícil acesso
  • Aumentar a confiabilidade do equipamento;
  • Aumentar a preservação através da limpeza, verificação e lubrificação;
  • Criar equipamento que não exija trabalho manual.
3) padrões de limpeza e de inspeção
  • Defender as três condições básicas para manter o equipamento e prevenir a deterioração (limpeza, lubrificação e aperto);
  • Realizar verificação precisa por meio de controles visuais e valores de operação correto expostos aos equipamentos.
4) inspeção geral do equipamento
5) inspeção geral do processo
  • Melhorar a estabilidade total e a segurança dos processos;
  • Ajuste fino da precisão da inspeção do processo;
  • Modificar o equipamento para torná-lo mais fácil de operar.
6)manutenção autônoma sistêmica
  • Apontar relação entre o equipamento e a qualidade;
  • Revisar e melhorar a planta e o plano do equipamento;
  • Padronizar a manutenção com todos os recursos de apoio.
7- gestão autônoma
  • Analisar constantemente as informações para melhorar o equipamento e aumentar a sua confiabilidade;
  • Padronizar as melhorias e aumentar a vida dos equipamentos.

Tabela 1- Etapas da manutenção autônoma
Fonte: Adaptado de (SUZUKI, 1994)

Este processo todo, bem feito, leva pelo menos 3 anos para se estabelecer. Muitos se equivocam por achar que se pode fazer em um tempo menor. Não há atalhos. Há a necessidade de muito esforço, comprometimento, treinamentos, capacitações e seguir cada uma das etapas. Os principais boicotes acontecem por parte dos próprios gestores, que não entendem as mudanças e não se tornam os verdadeiros facilitadores. Se estas mudanças não ocorrerem não haverá sucesso. Porém se houver de fato este entendimento por parte dos gestores, a chance de sucesso é enorme, passando a ter um nível fantástico de produtividade na operação.

Referências: SUZUKI, T. TPM in Process Industries. 1ª. ed. New York: Productivity Press, 1994.

2018-01-13T16:38:07+00:00 By |Categories: Manutenção Autônoma|4 Comments

About the Author:

Graduado em Engenharia de Produção Mecânica pela Faculdade de Engenharia Industrial – FEI (1996), MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas – FGV (2008). Mestrando pelo Grupo de Pesquisa em Processos Tecnológicos e Ambientais da UNISO, com foco no empreendedorismo de Sorocaba. Atua como professor e coordenador dos cursos de engenharia pela ESAMC SOROCABA. Leciona para a graduação as disciplinas de Engenharia de Produto, Fundamentos de Processos de Engenharia, Gestão de Operações, Projetos e por Processo, Introdução à Engenharia e Metrologia. É orientador dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Leciona para o MBA as disciplinas: Projeto de Processos e Lay Out, Gestão de Projetos, Configuração do Sistema Logístico e Plano Logístico. Atua como Gestor da Incubadora de Empresas HUBIZ no Parque Tecnológico de Sorocaba e também como consultor de empresas desenvolvendo diversos trabalhos da metodologia TPM (Total Performance Management) e do Sistema Lean de Produção / Sistema Toyota de Produção atuando em empresas como: Dixie Toga, Votorantim Cimentos, Nestlé, Nossa Senhora da Penha, Schincariol, Natura, Nokia, Total Pack e Borealis.

  • Carla Campos

    Parabéns pelos artigos! Conteudo muito bem embasado! Era o que eu precisava para compartilhar com a lideranca operacional da compania!! Continuemm!!

  • André Nascimento

    Parabéns pelo Artigo!

    Quando falamos em implantar a TPM, seria a Manutenção Autônoma o primeiro primeiro pilar a ser implementado?
    Como definir quais atividades cabem ao operador executar na MA?

    • Olá André, isso mesmo. A manutenção autônoma é o primeiro pilar. Vamos falar sobre as atividades nos próximos artigos. Assine nossa newsletter para receber as atualizações. Grande Abraço!!!