OEE, cálculo de eficiência da planta e integração de sistemas

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OEE é o principal indicador utilizado para medir a eficiência global. São várias as métricas que podem ser utilizadas na indústria para avaliar se algum processo é eficiente ou não. Tradicionalmente em programas de TPM (Total Productive Maintenance) utiliza-se muito o indicador OEE (Overall Equipment Effectiveness). O OEE tem como objetivo responder a três perguntas importantes: Com que frequência os meus equipamentos ficam disponíveis para operar? O quão ráPIDo estou produzindo? Quantos produtos foram produzidos que não geraram refugos?

Como podemos perceber, a resposta a estas três perguntas nos fornecem um panorama geral da operação em qualquer tipo de negócio e, por este motivo, o OEE é considerado tão importante na indústria. Neste artigo apresento a maneira de calcular a eficiência global dos equipamentos através do índice OEE, e como a integração dos sistemas pode contribuir para o aumento da eficiência da indústria.

O que é World Class OEE ?

World Class OEE é o índice utilizado como benckmark mundial pelas indústrias. Em um estudo realizado, foi estimado que as plantas com melhor eficiência no mundo apresentam o índice de 85% de OEE e que em média, o restante das indústrias apresentam um índice de apenas 60%. Isso nos leva a crer que para uma planta operando com OEE em torno de 60%, é possível aumentar a eficiência global em até 40% utilizando os mesmos equipamentos e os mesmos recursos. Neste ponto, surge uma importante questão: Como está a eficiência da minha planta? Veremos como calcular isto em seguida, mas veja no gráfico 1 como se posicionam as empresas em relação ao OEE.

Como calcular a eficiência global dos equipamentos da minha empresa?

A maneira mais simples de mensurar a eficiência da empresa é fazer o cálculo do índice do OEE. Este índice é uma métrica percentual que representa como estão as “as melhores práticas” da empresa e leva em consideração 3 importantes variáveis de produtividade: a disponibilidade dos equipamentos para produção, a qualidade do que é produzido e a performance.

Faça o download da planilha utilizada neste artigo clicando no botão abaixo:

 

Em um mundo ideal, as empresas deveriam ter 100% dos recursos disponíveis, com 100% de qualidade e 100% de aproveitamento do tempo, mas na prática isso é muito difícil de acontecer. Por este motivo é preciso monitorar constantemente o índice de eficiência da empresa e estabelecer onde e como estes indicadores podem ser melhorados.

Infográfico OEE - Índice de Eficiência - Overall equipment effectiveness infografico oee

Como fazer o cálculo de eficiência global de equipamentos OEE?

O OEE é um indicador percentual e calculado da seguinte maneira:

OEE = Disponibilidade X Performance X Qualidade

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Vejamos como calcular cada um deles:

Disponibilidade

Este indicador reflete os eventos que param a linha de produção e impactam diretamente na disponibilidade dos equipamentos. Geralmente estes eventos estão relacionados à quebra, tempo de setup das máquinas, falta de materiais, etc. Estas ocorrências não esperadas são chamadas de downtime e o tempo que sobra para execução de paradas planejadas e produção é o Tempo Operacional. Importante frisar que no indicador de performance é expurgado o tempo de paradas planejadas, ou seja, manutenções preventivas ou programadas não são contabilizadas neste indicador. Vejamos um exemplo:

Uma máquina de produzir perfis metálicos (perfiladeira) é programada para trabalhar por 2 turnos que somados resultam em 16 horas por dia. Em um dia normal de operação, a perfiladeira tem uma parada planejada de 30 minutos para que os operadores possam fazer a troca de turno e acompanhar o DDS (diálogo diário de segurança).  Suponha que no mesmo dia, durante o segundo turno ocorre uma falha na guilhotina da perfiladeira que faz com que o equipamento fique parado em manutenção corretiva por 2 horas. Vamos calcular a disponibilidade neste dia para a perfiladeira:

Tempo Programado = (16 x 60) – 30 = 930 minutos

Tempo disponível para produção = 930 – (2 x 60) = 930 – 120 = 810 minutos

Disponibilidade = 810 / 930 = 0,87 = 87%

Conforme estudos mundiais em empresas que seguem padrões World Class, o indicador padrão mundial de disponibilidade é em torno de 90% *.

Performance

Toda linha produtiva tem uma capacidade máxima e esta capacidade está relacionada com o tempo do que é produzido na linha. O índice de performance representa a porcentagem da velocidade de produção com relação a velocidade nominal, ou seja, velocidade de produção atual em relação a velocidade com que o equipamento produziu e foi projetado para tal.  Alguns fatores que impactam diretamente na performance são: ineficiência dos operadores, materiais fora de especificação e falta de treinamento dos funcionários. Vejamos um exemplo:

Utilizando o exemplo da perfiladeira, sabemos que ela trabalha por 2 turnos que somados resultam em 16 horas por dia e em um dia normal de operação, há uma parada planejada de 30 minutos para que os operadores possam fazer a troca de turno e acompanhar o DDS. No nosso exemplo houve uma parada para manutenção corretiva de 2 horas. Outra informação importante é que a perfiladeira neste exemplo foi projetada para produzir 60 peças por hora ou 1 peça/min.  Acompanhando um dia normal de operação, no final do dia, verificou-se que a quantidade de peças produzidas foi de 700 peças. Vamos calcular a performance neste dia para este caso:

Tempo Programado = (16 x 60) – 30 = 930 minutos

Tempo Operacional = 930 – 120 = 810 minutos

Tempo que deveria ser gasto para produzir as 700 peças = 700 x 1min = 700min

Performance = 700 / 810 = 0,864 = 86%

Note que no indicador de performance, consideramos a peças produzidas independentemente se foram produzidas com defeito ou não. Outro cálculo que aparece aqui é o Tempo Operacional que significa o tempo de fato em que a máquina ficou disponível para produção, ou seja, é o tempo programado subtraído do tempo de quebra ou falha no equipamento (2 horas). Com relação as peças com defeito, veremos mais a frente que elas entram no cálculo do indicador de qualidade. Conforme estudos mundiais em empresas que seguem padrões World Class, um nível padrão mundial do indicador de performance é em torno de 95%*.

Qualidade

Antes de um material ser produzido, vários parâmetros de produto são definidos pela empresa. Espera-se que todos os produtos finais tenham características dentro dos padrões estabelecidos, garantindo assim a qualidade dos produtos. O material que não atinge o nível esperado é considerado como perda ou refugo.

Novamente utilizando nosso exemplo da perfiladeira, trabalhando 16 horas por dia com parada de 30 minutos de DDS, constatou-se no dia analisado que a máquina produziu 700 peças, porém 50 peças foram defeituosas. Vamos calcular o índice qualidade neste dia:

Qualidade = (700 – 50) / 700 = 0,93 = 93%

Novamente, se compararmos com estudos mundiais em empresas que seguem padrões World Class, o indicador padrão mundial de qualidade é em torno de 99% *.

OEE

Com os 3 indicadores calculados em mãos, já é possível fazer o cálculo do OEE para a perfiladeira bastando para isto utilizarmos a fórmula abaixo:

OEE = Disponibilidade X Performance X Qualidade

OEE = 0,87 X 0,86 X 0,93 = 0,695 = 69%

Observe que para calcular o OEE da planta como um todo basta agruparmos todos os obtidos de cada linha de produção e realizar o cálculo acima.

Interessante notar também que o OEE calculado no nosso exemplo é abaixo dos padrões World Class. Isto quer dizer que uma linha trabalhando com o OEE no valor de 69% tem possibilidade de ser melhorada em cada indicador, podendo atingir um OEE final de 85% com um ganho significativo de eficiência em torno de 25%.

Como a integração de sistemas pode aumentar a eficiência da empresa?

O primeiro passo para melhorar a eficiência é medir o cenário atual para saber onde exatamente a sua empresa está posicionada. Assim, é possível traçar metas e buscar uma eficiência padrão World Class.

Nas medições em campo, é fundamental que as informações sejam confiáveis. Neste sentido, a automação industrial com certeza é uma boa alternativa. Para o cálculo do indicador de disponibilidade, empregando-se a automação, é possível medir o tempo de indisponibilidade dos equipamentos automaticamente.  sensores e softwares de apontamento automático podem ser empregados perfeitamente. Assim, não só o indicador de disponibilidade é calculado, como os motivos de parada dos equipamentos são registrados. Existem vários produtos no mercado que focam este segmento. Clique aqui para saber mais sobre estes produtos.

Os motivos de parada dos equipamentos e como cada motivo impacta na disponibilidade são fundamentais para o emprego de melhorias. É com posse destas informações que podemos levantar os gráficos de pareto e aplicar as ferramentas de Yshikawa, Árvore de falhas, confiabilidade, cálculos estatísticos e ferramentas de análise e solução de problemas. Com a aplicação da automação, também é possível registrar se o equipamento está trabalhando com a velocidade nominal e o real volume de produção de forma a fornecer o indicador de performance. Dependendo do processo, pode-se lançar mão de sensores e câmeras de precisão para detecção de produtos defeituosos e obter também o indicador de qualidade.  Com softwares adequados de automação, é perfeitamente viável a integração das informações com softwares de gestão e ERPs fechando todo o ciclo de geração de dados da empresa. Com informações precisas e adequadas, disponibilizadas para todos, a qualidade das análises aumenta significativamente e ações corretivas são mais assertivas. A empresa pode então entrar em um processo de melhoria contínua para o atingimento de uma eficiência global nos padrões World Class.

O simples fato de medir e expor os indicadores para todos os envolvidos na produção com o estabelecimento de metas claras, proporciona um excelente resultado na empresa, pois alinha os objetivos da diretoria com os colaboradores de forma clara. É desta forma que se inicia um processo contínuo pela busca da excelência nos processos e consequentemente o aumento da eficiência operacional. A integração de geração e análise de informações proporciona uma fonte única de consulta e faz com que o nível de aprendizado do negócio evolua constantemente. A empresa ganha em competitividade e os colaboradores ganham em qualidade de trabalho.

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Formado em Engenharia Elétrica pela UNESP (Universidade Estadual Paulista) com Pós Graduação MBA em Gestão de Projetos pela FVG (Fundação Getúlio Vargas) e certificação internacional em Gestão de Projetos pelo PMI (Project Management Institute). Também possui certificação Green Belt em Lean Six Sigma. Atuou na implantação dos pilares de Engenharia de Confiabilidade Operacional e Gestão de Ativos Industriais em grandes empresas como Votorantim Metais (CBA) e Votorantim Cimentos. Como Gerente de Projetos pela Siemens e Citisystems, coordenou vários projetos de automação e redução de custos em empresas como Usiminas, JBS Friboi, Metso, Taesa, Cemig, Aisin, Johnson Controls, Tecsis, Parmalat, entre outras. Possui experiência na implementação de ferramentas Lean Manufacturing em empresas como: Faurecia, ASBG, Aisin Automotive, Honda, Unicharm e Flextronics. Atualmente é Diretor de Projetos na empresa Citisystems e membro do Conselho de Administração da Inova, organização gestora do Parque Tecnológico de Sorocaba.

  • Parabéns pelo blog, o artigo foi muito bem escrito e parabéns também pelo paralelo que fez no final do texto com os produtos oferecidos por sua empresa, soube explorar bem tudo o que explicado sobre o OEE.

    • Afonso, ficou muito contente que tenha gostado do blog e do artigo. O paralelo com os produtos que a Citisystems fornece é muito pertinente neste caso pois mais importante do que levantar informações é ter qualidade destas. Visitei o seu blog e também achei muito interessante os seus artigos. Fique a vontade para agregar seus conhecimentos no nosso blog.

  • Thamar

    Bacana! Estou estagiando em uma das empresas que você trabalhou e realmente trabalhamos com o OEE. Uma pena é ter um bom indicador desses e as pessoas analisarem apenas como um dado qualquer. A informação pe muito rica, ainda mais se utilizado a outras ferramentas como o MCC (RCM).

  • Edson

    Por favor qual o livro sobre o assunto que voceês poderiam me indicar.

    • Olá Edson, um livro que acho bem interessante sobre o assunto é o com o título de Overall Equipment Effectiveness: A Powerful Production/Maintenance Tool for Increased Profits do autor Robert C. Hansen

      • Edson

        Cristiano Bertulucci Silveira, Muito grato vou ver se eu o encontro pra mim ler…

  • jorge beda ferreira junior

    parabéns participei de um treinamento na empresa sobre este tema e tive muita
    dificuldade, ao pesquisar na internet encontrei o site que me esclareceu de maneira rapida. obrigado.

  • Marcos

    Excelente esta ferramenta, preciso implematar em minha empresa, favor como faço para calcular o cilclo teórico na minha produção!

    • Olá Marcos. Acho que você gostaria de calcular os índices teóricos dos seus equipamentos, correto? Se sim, geralmente os dados de disponibilidade e performance são calculados baseado nas informações do fabricante da máquina que você utiliza em seu processo. Estas informações também podem ser encontradas nos manuais dos equipamentos.

  • Informações de muita utilidade, que se precisam para entender melhor os conceitos básicos da Manutençao e a Produtividade nas industrias. Aparecem apresentados de forma muito simples e fácil. Parabéns.

  • Jorge Filho

    Temos avançado com TPM na empresa na qual trabalho, e adotamos o cálculo do O.E.E como indicador de produtividade. Mas, o que quero destacar, é sua a abordagem, clara, simples, como de fato deve ser! Contrário de outros que fazem tantos rodeios, gráficos de tudo que é cor, estilo, mas o fundamental fica em 2º plano.
    Muito bom, vc sabe do que diz, e faz isso com habilidade!
    Jorge Filho

    • Jorge, agradeço imensamente o seu comentário. Fico contente em contribuir para um melhor conhecimento deste indicador da forma como você colocou. Caso queira sugerir algum post ou contribuir com seus conhecimentos fique a vontade.

  • silvana costa de almeida

    gostaria que resolvesse um problema pra mim: Considerando um envasamento com capacidade de produção de 60000 garrafas/h pergunta-se. Esta linha produzindo a 80% de eficiência, quantas caixas de cerveja serão produzidas em 10 horas?

    Obrigada pela atenção!

    • Silvana, para responder sua pergunta, precisamos saber se nestas 10 horas houve alguma parada na linha e se houveram refugos (perdas de garrafas). Partindo do princípio de que a linha ficou operando direto e sem paradas no período de 10 horas e que não houve nehuma perda de garrafa, os fatores disponibilidade e qualidade terão o valor de 1, ficando para o cálculo apenas o valor de performance (OEE = 0,8 = 1 x FP x 1). Assumindo também que cada caixa de cerveja contém 24 garrafas, podemos então fazer o cálculo final. Temos então: quantidade que deveria ser produzido = 10*60.000 = 600.000 garrafas; Quantidade que foi produzido = 10*60.000*0,80 = 480.000 ; Caixas de cerveja = 480.000 / 24 = 20.000

      • silvana costa de almeida

        Conseguir resolver de outra forma, mas deu o mesmo resultado. Muito obrigada Cristiano!

  • Fábio Coelho

    Parabéns pelo artigo bastante didático, vou replicá-lo com os colegas aqui na empresa.

  • Olá Cristiano, tudo bom? Muito bom seu artigo. Tenho uma dúvida a respeito de quantos turnos devemos considerar no cálculo do OEE, disponibilidade. Temos 4 CNCs que trabalham em apenas 2 turnos. Em um eventual aumento de demanda o terceiro turno pode ser usado, como era no passado. Nas demandas atuais, trabalhamos em apenas dois turnos. O tempo programado é de dois turnos? Ou devo considerar o tempo programado do terceiro turno também? As grandes empresas usam nos cálculos os três turnos? Att
    Laurence

    • Olá Laurence, tudo bem? Via de regra, para o cálculo de disponibilidade, devemos sempre considerar o que foi programado. A disponibilidade é uma porcentagem do tempo programado, ou seja, se foi programado 2 turnos, considera-se somente os 2 turnos, se por outro lado a demanda aumentar e o terceiro turno for utilizado, deve-se ajustar o tempo programado considerando o terceiro turno. Voltando a demanda ao normal, o tempo programado deve ser reajustado para 2 turnos. Como a disponibilidade é uma porcentagem do tempo programado, pela lógica o indicador não sofrerá distorções se comparado na situação de 2 turnos com 3 turnos. Caso ainda tiver dúvida pode entrar em contato. Abraços.

  • antonio

    Obrigado Cristiano por abrir este espaço.
    Temos alguns equipamentos que historicamente nunca atingiram a velocidade nominal indicada pelo fabricante. Como proceder?

    • Antônio, obrigado pela visita em nosso blog. Nestes casos, o melhor a fazer é realizar uma amostragem da velocidade de produção do equipamento por um curto período de tempo e projetar a produtividade calculada em todo o período programado de operação da máquina. No período amostrado não podem haver interferências de performance, qualidade ou disponibilidade durante a produção. Assim é possível calcular qual seria a taxa nominal de produtos que podem ser produzidos por segundo, minuto, hora e assim por diante. Uma dica é cronometrar a produção por segundo, minuto. etc, nas condições explicadas acima.

  • Edson

    Primeiramente, parabéns. Veja a situação exposta: um operador opera duas máquinas simultaneamente, em uma delas existe o equipamento de coleta de dados para cálculo do OEE, na outra não possui. Por operar duas máquinas, queria saber se é possível mensurar(aproximadamente) qual é a
    ineficiência gerada. Espero que entenda minha dúvida. muito obrigado.

    • Edson, com relação à sua questão, via de regra a coleta automática é muito mais confiável do que a coleta manual. O melhor a fazer é medir a performance da máquina que não possui o sistema manualmente e após isto instalar um sistema automático possibilitando a comparação entre eles. Com certeza você notará diferenças e poderá mensurar a ineficiência.

      • Prezado Cristiano,
        Inicialmente, parabéns pelo blog e pelos diversos artigos já publicados. Todos eles de extrema clareza e qualidade.
        Desculpe-me a intromissão, mas gostaria apenas de acresentar uma breve observação (o meu ponto de vista) com relação ao post e a essa resposta.
        Com relação ao post,
        O OEE é uma excelente ferramenta, mas que deve ser utilizada com certa cautela. além de se conhecer a fundo seu funcionamento e suas variáveis (muito bem explicados em seu post), deve-se ser analisada na organização como um todo, ou seja, suas interferências em outros setores, e como outros setores podem interferir no OEE.
        Atuei numa determinada empresa que utilizava o índice do OEE como meta do setor de produção. Ao mesmo tempo, definiu como meta para o PCP o número mínimo de ordens de produção. resultado: o setor nunca atingiu suas metas, devido ao grande número de setups (desnecessários) realizados.
        Outro caso presenciado, foi uma alteração no sequenciamento de produção para atender ao prazo de entrega prometido por um vendedor, que não conhecia o OEE, e sequer sabia da utilização dele na empresa, acarretando em baixos índices de disponibilidade e, por consequência, aumento dos custo de produção, deviso às horas-extras que se fizeram necessárias.
        Ou seja, o OEE deve ser conhecido e acompanhado por TODOS os departamentos da organização que o utiliza.
        Com relação à resposta ao Edson,
        Não tenho dúvidas, e concordo plenamente que os sistemas de coleta de dados automáticos são muito mais eficientes, e também os recomendo.
        No entanto, por mais moderna e dotada de tecnologia que seja, nenhuma máquina “roda” sem um operador. Nesse cenário, não devemos analisar o OEE de forma isolada, mas integrado a alguma forma de avaliação do operador. Para tal, técnicas de confiabilidade humana possibilitam, modelagens matemáticas que representam as curvas de aprendizado e os níveis de concentração do operador.
        Em alguns casos, sugere-se que o colaborador opere mais de uma máquina, para manter esses curvas em npiveis adequados, isto é, não o sobrecarregue ao ponto de gerar estress (e consequentes perdas), mas que, também, não haja ociosidade (elevando os custos de produção com mão-de-obra).
        Existem várias literaturas sobre o assunto, mas particularmente, gosto do “Confiabilidade Humana – Conceitos, Análise, Avaliação e Desafios”, do Professor Carlos Amadeu Pallerosi (UNICAMP).
        Bom, como salientado, só estou expondo meu ponto de vista, e em momento algum contrariando o que foi exposto.
        Mais uma vez, parabéns pelo blog!

        • Prezado Leonardo Contini, inicialmente agradeço imensamente pela sua contribuição. São este comentários que nos fazem melhorar cada vez mais. O seu ponto de vista só tem a agregar neste artigo. Concordo com você que a forma automática evita muitos erros, mas a máquina ainda depende de um operador para “rodar” e confesso também que não havia pensado na questão da curva de aprendizado. Muito obrigado pela referência de leitura e com certeza vou ler para entender este outro ponto de vista. Com relação as metas conflitantes, mais uma vez apoio o seu comentário. Uma vez adotado o OEE, a organização como um todo deve entender muito bem este indicador, assim como as interferências possíveis de acontecer que podem refletir um baixo desempenho. Obrigado novamente pelo comentário e por favor, faça isto sempre que achar necessário. Seja bem vindo !!!

  • vagner

    olá Cristiano tenho uma duvida se puder me ajuda agradeço.Trabalho em uma empresa que a produção é feita em cima de tempo padrão,se eles me programa um serviço para fazer em 7hs,eu faço em 5h30 e começo outra produção que tem o tempo de produção de 7hs também mas só trabalho 1hs nesta sequência,devido a troca de turno.Levando em conta que eu trabalho 7hs a máquina não teve nenhum tipo de parada só para passagem de serviço

    • olá vagner, o ideal seria solicitar ao pcp que realize a programação compativel com o seu trabalho, se o trabalho é sempre realizado em 5:30 a programação deve ser ajustada para este tempo.

  • Thais Elizeu

    Cristiano, bom dia!
    Tenho uma dúvida. Podemos fazer a aplicação do OEE para uma produção onde a manufatura é realizada por pessoas? Pois não trabalhamos com máquinas.
    Agradeço.

    Thais

    • Olá Thais, analisando por outro ponto de vista, é possível. Neste caso é importante criar métricas para medir o tempo necessário em cada etapa de produção e com isto realizar a programação de forma a refletir o real, com base no cálculo do tempo que foi realizado. Feito isto, uma vez medindo o desempenho de produção com relação ao programado você conseguirá medir a performance da equipe. A disponibilidade poderá ser medida com relação a falta das pessoas, por algum motivo, quando estas estavam programadas e não compareceram e o fator qualidade seriam os produtos defeituosos, da mesma maneira que são calculados quando da visão de máquinas e equipamentos.

  • Adriano Leite

    Cristiano, parabéns pela abordagem do assunto OEE, como já percebi em alguns comentários de colegas, há muitas fontes, porém com muito rodeio o que acaba por vezes não sendo produtivo na captação da idéia, seu artigo simples, e objetivo, proporciona total compreenção do índice.
    Uma dúvida, para uma linha produtiva de 24 horas, contínua, não para, uma linha de produção de vidros proveniente de fundição de areia, a Performance seria 1?
    Também no vidro, a qualidade é medida ao longo da folha, e separada em classes de qualidade, ou seja, são empilhados pacotes com qualidade 1, 2, 3……que se destina a tipos diferentes de clientes, porém a meta, é qualidade 1. Como eu trataria este índice de qualidade ?
    Desde já agradeço vossa atenção

    • Adriano, muito obrigado pelo comentário. Com relação a sua dúvida, para uma linha produtiva de 24 horas, contínua (linha de vidros), não é a Performance que seria 1 e sim a Disponibilidade. A performance dependeria de como a máquina está produzindo (a pergunta para o cálculo da performance será: está produzindo nominalmente ou abaixo disto?). Já com relação a qualidade medida ao longo da folha, você comenta que é feita por classes. A questão que você deve analisar é se houveram refugos (quebra do vidro ou retrabalho) e se houveram produtos defeituosos, ou seja, algum defeito fez com que o cliente devolvesse os produtos. Esta quantidade (refugos + defeituosos) é que deve ser computada para a obtenção do índice de qualidade.

  • Pablo Mello

    Muito interessante. Boa noite, trabalho em uma fabrica de costura com 160 funcionários, sou cronometrista, gostaria de saber se tem como aplicar esse sistema em maquinas industrias eletronicas ???

    • Pablo, boa noite. Obrigado pelo comentário. O OEE é perfeitamente aplicável em máquinas eletrônicas. Caso quiser mais detalhes entre em contato que posso lhe ajudar !!!

  • Estava com dificuldades en encontrar um trabalho tão completo sobre OEE. Estou muito grato à você. Obrigado.

  • Marcos Moura

    Parabéns!
    Gostei do tema, explanado para o mundo industrial normal.
    Mas vamos para o universo da industria da energia elétrica. Qual a tua ideia para aplicar esta filosofia, dento deste universo.
    E como fica a situação da infraestrutura elétrica (p.ex.: sistema de aterramento) que em muitos casos é responsável por 78% dos problemas nas plantas energéticas?
    Ma s se voltarmos para uma planta industrial moderna, onde o nível de automação, controle e proteção é extremo, como ficaria se de uma hora para outra começasse a ter problemas de paradas intempestivas, queima de relés, queima de PLC’s, respostas erradas durante a produção, perda de sinais de PLC’s, inversores perdendo referencia e tudo mais e não se descobre o fato gerador?
    Impossível? Não e já vi este filme várias vezes. E os índices vão deixando a gerencia e diretoria loucas.
    Estou de acordo com a Disponibilidade x performance x qualidade = OEE. Mas no caso da industria da energia, a degradação da infra não tem que entrar no cálculo e cada uma das 3 análises?
    Fica a perguntar para pensarmos

    • Roberto Sternberg

      Prezado Marcus Moura,
      Muito importante os seus comentários.
      Eu vivencio, da mesma forma, nos segmentos de indústrias de Petróleo & Gás, bem como Petroquímica, o mesmo cenário.
      A característica principal, nestes segmentos de indústrias, é agregar altíssimos valores de produção, juntamente com as componentes da sigla RAM ( Reliability, Availability and Maintainability e em português Confiabilidade, Disponibilidade e Manutenatibilidade) que considera, entre outros:

      Identificar possíveis gargalos (mecânica e processo)
      Estimar a disponibilidade em operação da unidade
      Delineando as demandas de manutenção planejadas e não planejadas
      Desenvolver estratégias de desligamento (shutdown) ideais (intervalo e duração)
      Analisando o impacto de várias “cargas de pessoal” de manutenção
      Prevendo o impacto do equipamento de redundância e sua disponibilidade
      Desenvolvimento de estratégias de mitigação para os modos de falha esperados
      Realizando uma análise preliminar equipamentos criticidade
      Otimizando confiabilidade nas fases de projeto pela análise de uma grande variedade de cenários

      Coloco-me à disposição.

      Roberto Sternberg

  • Existe algum calculo para estabelecer um objetivo (Target) de TPM

  • Tiago Martins

    Parabéns pelo post, muito interessante mesmo. Estou a implantar o OEE em minha empresa, porém, ela trabalha com um mix muito grande de produtos, ocasionando em diversos tempos de ciclos diferentes, dessa forma fiquei imaginando como faço para calcular a performance, levando em consideração que ela utilização o TC para o calculo, no caso do exemplo 1 min.

    Parabéns, muito proveitosa a leitura

  • Saulo Queiroz Lamounier

    Cristiano meu nome e Saulo Q. Lamounier sou Coordenador de Envase no ramo de Creme Dental na Cidade de Uberlandia, gostaria de parabeniza-lo pelas dicas estou aprendendo muito com os comentários e o site…Gostaria de saber se você tem alguma planilha O.E.E para me enviar como modelo?

  • Nilton

    Parabéns pelo blog e pelos artigos. Tenho uma dúvida. Na disponibilidade de tempo, eu desconsidero o tempo de almoço e 5min. no inicio de cada turno para troca de turno? ou seja,
    Tempo total do turno 8 horas, almoço 1 hra, troca de turno 5min. tempo disponível ????
    obrigado.

  • Marguilon Batista

    Cristiano, parabéns pelo arquivo publicado, muito didático. Vemos o quanto é importante sabermos mensurar a eficiência de uma produtividade de uma industria quanto a uma eficiência na área logística. Posso também dizer que o 5S junto com o TPM tem melhorado e muito as performance de algumas empresas.

  • fabio

    Artigos muito bons! Parabéns!

  • Everton

    Ola,
    Gostaria de aplicar OEE em uma industria de extração de óleo de soja, em todas as etapas do processo Preparação,extração,destilação e expedição.
    Tenho dificuldade na organização da coletas de dados na hora de lançar na planilha de OEE devido a variações do processo,se possível gostaria de algumas dicas para ficar didática na hora de aplicar. Levando em consideração que sou apenas Operador de Painel de comando dessa industria.

    Aguardo retorno, Desde já agradeço!

  • Mateus

    Muito boa a explicação, parabéns.
    Estou fazendo um trabalho acadêmico onde calculei o OEE de várias máquinas de uma linha de produção, agora preciso saber qual é o OEE global, de toda a linha. Como isso é feito? Posso fazer uma média aritmética dos OEE’s calculados ou há outra forma?

  • Maria de Fátima Caraça

    Boa Noite Cristiano

    Muito interessante este assunto. Trabalho em uma confecção com 03 costureira e nunca foi cronometrado o tempo de cada. Atualmente tivemos uma queda no faturamento; mas os pedidos estão no mesmo nível, portanto creio que a produção esta abaixo do esperado. De que forma poderia fazer este controle e saber se elas estão produzindo o suficiente para pagar seus gastos. Grata

  • Andrade

    Cristiano,
    Na empresa em que trabalho fizemos este treinamento e eles mencionam na verdade 4 variáveis para compor o OEE, alem das 3 que você menciona no seu artigo eles também incluíram uma primeira, chamada de “carregamento” composto por horário sazonal e Falta de programação (Turnos não planejados por falta de demanda). Esta correto? com mais variáveis o meu OEE não tende a ficar pior?

  • JUAN

    Parabéns pelo trabalho ,muito bom!
    O OEE também pode ser aplicado aos equipamentos estaticos em uma empresa de serviços ou centro de distribuição?
    Consigo utilizar a ferramenta e o conceito TPM em outras aplicações sem ser em processo de fabricação?

  • juliana

    Boa tarde!
    Cristiano Bertolucci,

    Muito bom o seu blog, curso Administração e tive um pouco de dificuldade no entendimento da matéria devido a metodologia que o professor adotou, e por meio de seu blog, consegui entender melhor e o mais importante analisar a importância de cada indicador. Parabéns!

  • daiane

    Boa tarde Cristiano,
    Não entendi de onde saiu o valor “60” na solução do calculo de disponibilidade. Seria o tempo em horas?

    Tempo Programado = (16 x 60) – 30 = 930 minutos
    Tempo disponível para produção = 930 – (2 x 60) = 930 – 120 = 810 minutos
    Disponibilidade = 810 / 930 = 0,87 = 87%
    Conforme estudos mundiais em empresas que seguem padrões World Class, o indicador padrão mundial de disponibilidade é em torno de 90% *.

  • Fabiano Silva

    Bom dia
    Parabéns pelo blog, rico em detalhes, uma duvida que também é do Mateus abaixo.
    Uma empresa com diversas injetoras e implantado o OEE, já conseguimos mensurar com clareza o equipamento individual
    mas como dizer qual é o meu OEE da planta ou global da unidade?

    pergunta do Mateus
    “Estou fazendo um trabalho acadêmico onde calculei o OEE de várias máquinas de uma linha de produção, agora preciso saber qual é o OEE global, de toda a linha. Como isso é feito? Posso fazer uma média aritmética dos OEE’s calculados ou há outra forma?”

    Atenciosamente

    Fabiano

    • Olá Fabiano, o correto não é fazer uma média aritmética e sim uma soma dos tempos, dos rejeitos e das produções individuais. Por exemplo, se considerar 2 equipamentos individuais e quiser saber o OEE global dos 2, para a disponibilidade, você deve somar os tempos de parada e os tempos planejados das duas máquinas para fazer o cálculo. Para o indicador de performance, o mesmo critério. Você deve somar a produção das 2 máquinas e somar o quanto deveria ser produzido pelas 2 e depois aplicar a fórmula de performance. Seguindo o mesmo critério, você deve considerar o indicador de qualidade. Espero ter ajudado

  • Anderson França

    Cristiano Muito parabéns pelo Bog.
    Estou iniciando meu TCC do curso de Engenharia de Produção e confesso que a partir do momento que li sobre seu artigo publicado sobre OEE fiquei tomei a decisão sobre qual assunto fazer meu TCC.
    Hoje trabalho em uma industria de bebidas q

  • Anderson França

    Cristiano Muito parabéns pelo Bog.
    Estou iniciando meu TCC do curso de Engenharia de Produção e confesso que a partir do momento que li sobre seu artigo publicado sobre OEE fiquei tomei a decisão sobre qual assunto fazer meu TCC.
    Também li seu artigo sobre Introdução a Confiabilidade Operacional que é sensacional.
    Hoje trabalho no setor de manutenção em uma industria de bebidas que usa este indicador OEE como indicador tático assim como Confiabilidade entre outros etc.
    Gostaria muito de aprofundar neste assunto para trabalho de conclusão de curso.
    Gostaria de saber se poderia indicar outros artigos e literaturas sobre o assunto.

    Mais uma vez parabéns!!!

  • Diego Arruda Borges

    Parabéns pela ótima explicação,
    Minha duvida é…
    O cálculo de OEE deve ser aplicado numa área como um todo, ou eu posso aplicar o mesmo método, para avaliar uma máquina isolada para medir seu comportamento ao longo do tempo?

    • Olá Diego. Você pode aplicar tanto para uma área como somente para uma máquina. As regras serão as mesmas.

    • Joao Alessandro pires

      Sim você pode. A eficiência do equipamento.

  • Vinícius Moreira

    Boa tarde, Cristiano. Eu tenho uma dúvida. Na empresa em que trabalho temos uma ferramenta que avalia nosso índice de desempenho, o RTY. Bom, eu gostaria de tentar o OEE da produção em alguns pontos, mas como a gente tem operadores e não máquinas na linha de produção, como eu conseguiria medir estes números com softwares? Grato!

    • Joao Alessandro pires

      Crono analise, o que passar dai e ineficiência.

      • Vinícius Moreira

        Alguma sugestão de como eu poderia estar realizando a crono análise? Geralmente eu a uso quando preciso medir o tempo de ciclo para um projeto, mas nunca para fim de produção normal.

  • Daniel. Você considerando como parada programada não deve entrar no cálculo, mas se esta parada não programada afetar a programada deve sim entrar no cálculo.